“Sou um enigma de princípios certos e errados. Um enigma de princípios feitos e refeitos várias vezes, pelo fato de serem tão imperfeitos. Meu erro é tão errado, quanto um acerto tão certo. Tão ilógico esse pensamento, mas tão com sentindo ele é. Sou cheia de padrões. Padrões difamados pelo meu próprio eu. Padrões sem nexo de uma conexão tão complexa. Mas não quero ser padronizada de um padrão qualquer. Quero eu, apenas ser. Não somente existir, mas viver. Cheia de desentendimentos e entendimentos, vou levando a vida, em várias curvas. Curvas que dão as vezes, não sempre, em lugares sem saída. Então é preciso ou escalar os muros, para tentar chegar ao céu ou então retornar ao inicio, fazendo mais uma vez aquele longo percurso. Para então, não errar da próxima vez. Não errar mais um erro tão errado, que agora está encabeçado em meu caderno velho e amarelado de erros. Erros precisos e imprecisos, tão certos ao mesmo tempo. Digo que sou diferente, mas não sou. Somos todos iguais em todo caso, só que cada um possuí sua diferença. Uma diferença que muitas vezes, não é diferença nenhuma, apenas um igual. Não espere que serei controlada, ao invés disso, espere que eu controle. Gosto do poder, não de ser submissa a alguém. Tenho limites e sou ilimitada de prazer. Prazer?! Sim, prazer você. Prazer de me conhecer. Prazer de me descobrir, e desvendar aquilo que é tão escondido, quanto eu. Sou de altos e baixos, ora estou bem, ora estou mal. Não ligo muito para isso, já é tão normal. Sou cheia de “tãos” . Já devem ter percebido isso. Sou cheia de decepções, e alegrias incompletas por um suspiro mal acabado. Sou um ser, tentando ser. Tentando ser alguém mais do que ninguém. Alguém que é, e que tenta ser melhor do que pensa. Alguém com vontade de provar ao mundo, que pode ser mais do que esperam que seja. Sou a solução de um problema, uma equação sem complemento faltando os algarismos certos, para ser completa. Uma pessoa metade. Metade de nada, metade sozinha. Metade de seu próprio ser. Inteira nunca foi, sempre soube. Nasceu metade e talvez, morra metade. É um mistério sem solução, mesmo que ao mesmo tempo, seja alguém tão superficial. Vive na superfície pois tem medo de se afogar em sua imensidão. Não gosta de abismos, mesmo que viva em um. Tem medo de ser, o que não espera ser. É intensa, e muitas vezes fria. Em alguns momentos se fecha, ou talvez, quase sempre. Não gosta de segredos, mas guarda um monte consigo. É tão propensa a ser igual a qualquer um, mesmo que procure ser a grande diferença em si. Mas em todo caso, ela se diz um ninguém, mas no fundo, bem lá no fundo mesmo, ela sonha em ser alguém. Um alguém que é tudo aquilo que um dia, ela deseja ser.”