quinta-feira, 7 de agosto de 2014


Que dá vontade de desistir, dá. Pra ser sincera eu desisto toda semana, e volto a acreditar no dia seguinte. É que quando chego perto de desistir completamente vem uma voz e me diz “Não, lute mais um pouco, vai valer a pena”.
Pedi tão pouco à vida e esse mesmo pouco a vida me negou. Uma réstia de parte do sol, um campo, um bocado de sossego com um bocado de pão, não me pesar muito o conhecer que existo, e não exigir nada dos outros nem exigirem eles nada de mim. Isto mesmo me foi negado, como quem nega a esmola não por falta de boa alma mas para não ter que desabotoar o casaco. Escrevo, triste, no meu quarto quieto, sozinho como sempre tenho sido, sozinho como sempre serei. E penso se na minha voz, aparentemente tão pouca coisa, não incarna a substância de milhares de vozes, a fome de milhares de vidas, a paciência de milhões de almas submissas como a minha no destino quotidiano, ao sonho inútil, à esperança sem vestígios. Nestes momentos meu coração pulsa mais alto por minha consciência dele. Vivo mais porque vivo maior. Sinto na minha pessoa uma força religiosa, uma espécie de oração, uma semelhança de clamor. Mas a reacção contra mim desce-me da inteligência… Vejo-me no quarto andar alto da Rua dos Douradores, sinto-me com sono; olho, sobre o papel meio escrito, a vida vã sem beleza e o cigarro barato que esquecido estendo sobre o mata-borrão velho. Aqui eu, neste quarto, a interpelar a vida!, a dizer o que as almas sentem!, a fazer prosa como os génios e os célebres! Aqui eu assim!…
— Fernando Pessoa. 

Eu te amo tanto, tanto, tanto, que te deixo ir. Porque amor não se implora, amor não se pede, amor não se prende. Amor é deixar quem ama livre, e foi o que eu fiz. Com um aperto no coração, mas fiz.
  
Eu triste sou calada. Eu brava sou estúpida. Eu lúcida sou chata. Eu gata sou esperta. Eu cega sou vidente. Eu carente sou insana. Eu malandra sou fresca. Eu seca sou vazia . Eu fria sou distante. Eu quente sou oleosa. Eu prosa sou tantas. Eu santa sou gelada. Eu salgada sou crua. Eu pura sou tentada. Eu sentada sou alta. Eu jovem sou donzela. Eu bela sou fútil. Eu útil sou boa. Eu à toa sou tua.
— Martha Medeiros

A volta

Oi pessoal, sei que andei sumida por vários meses, mas tive meus motivos, e o importante que agora estou de volta.
Não publicarei todos os dias como antes, mas vou me esforçar para postar ao máximo possível.