quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

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“Mamãe me ensinava a mentir, desde bem pequenina. Se não gostasse de alguém, pelo menos deveria sorrir quando a visse. Se não gostasse de um presente, deveria ao menos agradecer e sorrir para o desagrado. Talvez ela de alguma maneira, só estivesse me prevenindo para o que a vida reservava para mim. Depois de grande, mamãe só fez com que minha educação fosse usada com as pessoas certas, e os sorrisos foi a vida quem me forçou a dar. Diante da tristeza, me vi obrigada à erguer o rosto e fingir que não doía. Arrebitava o nariz e sorria como uma modelo em uma passarela; mesmo arrebentada por dentro. A vida me ensinou a nunca demonstrar o que sinto, pois das vezes que assim o fiz, me arrependi em cada segundo depois. Tive uma professora dura, exigente e injusta. Ela me fez levantar machucada, tirando o efeito curador dos beijos da mamãe. Me fez perder a inocência no olhar e enfiou malícias e vinganças em minha mente. A vida me mostrou o “amar”, diferente do que sentia por minha mãe, e depois, me mostrou como era perdê-lo. Ela me deu tarefas quase que impossíveis para casa e eu não me lembro de nenhuma vez ter tirado dez em suas provas de resistência. Mas se querem saber, fui uma boa aluna. Aprendi a lidar com ela e tornei-me escorregadia diante de algumas armadilhas que ela quis me apanhar. Fui uma das poucas alunas que não tiveram de repetir o ano. Passei direto, pois aprendi a ser tão fria quanto ela.”

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